março 13, 2026

Por que ainda subsiste o marxismo?

O fracasso do sistema comunista em todos os países em que foi implantado deveria corresponder ao abandono da doutrina que o inspirou, vale dizer, o Marxismo. E no entanto essa doutrina se mantém viva e conta com fervorosos adeptos, que a defendem contra todas as evidências fornecidas pela realidade.

Poder-se-ia objetar que se o Comunismo fracassou na Rússia e nos países que tiveram por modelo a União Soviética, ele foi bem sucedido na China, país que deixou de banda o subdesenvolvimento, para ostentar hoje o “status” de potência mundial. Ora, o Comunismo deu certo na China, porque deixou de ser Comunismo… com efeito, foi depois de o regime de Pequim admitir a livre iniciativa na Economia, e permitir a propriedade dos meios de produção, que a sociedade chinesa passou a evoluir. Diria que o sistema chinês atual é um “Nacional-Confucionismo”…

Se o exemplo chinês não serve para explicar a sobrevivência do Marxismo, é preciso cogitar de outras motivações para ela. E tais motivações se encontram em primeiro lugar, no campo religioso.

Foi Heraldo Barbuy o autor que demonstrou, no Brasil, que o Marxismo não é uma doutrina filosófica, nem um sistema econômico, nem uma ideologia, sendo ao revés uma religião. Religião ateia e materialista, sem duvida, mas de qualquer maneira uma religião e, mais especificamente, uma contrafação do Cristianismo.

Como religião, o Marxismo se baseia em dogmas. E o mais importante deles é o do primado dos fatores econômicos sobre todos os outros. A Economia é a “infraestrutura” que determina as “superestruturas.” Ora, o primado do econômico não é passível de qualquer demonstração racional. Ele é um dogma, e como tal, não pode ser discutido… Eu dei alguns desenvolvimentos à tese de Heraldo Barbuy. O túmulo de Lenin, em que o seu cadáver é mantido embalsamado, é uma imitação do Santo Sepulcro de Jerusalém… Cristo ressuscitou. E Lenin é conservado. Os retratos de Marx, Engels e Lenin, nas concentrações do regime comunista, lembravam os ícones da Igreja Ortodoxa Russa… e o nome do jornal do Partido Comunista era “Pravda”, palavra russa que significa “Verdade”!… tudo isto rescende a religião. Trata-se de uma religião “sui generis”. Nela, o “voto de pobreza” não é feito pelo “clero”, vale dizer, pela burocracia do Partido, mas sim pelos “fiéis”, ou seja, pelo povo… os venezuelanos e cubanos que o digam…

Sem dúvida, o apelo religioso é o principal fundamento da sobrevivência do Marxismo. Este, além de ser uma doutrina “reducionista” como outras doutrinas do século XIX (Positivismo e Evolucionismo), é “redencionista”, na medida em que acena com a felicidade do gênero humano, depois que as classes sociais e as fronteiras nacionais forem abolidas… já foi dito que Cristo foi mais realista do que Marx. Ele prometeu o paraíso no outro mundo, e Marx o prometeu aqui na Terra!…

Se o fator religioso atua poderosamente para a sobrevivência da doutrina de Marx, ele não é o único. É preciso levar em conta que o Marxismo é uma doutrina muito fácil de ser pregada: É com efeito cômodo defender a divisão dos bens… dos outros…

Além disto, trata-se de uma doutrina não apenas simples, mas até simplista. E assim, pode ser assimilada por quaisquer pessoas, ainda que notoriamente pouco inteligentes. Exemplifico com uma determinada terrorista disléxica e que não consegue construir uma frase completa, com sujeito, verbo e predicado. Até ela conseguiu assimilar a doutrina de Marx…

Por derradeiro, o Marxismo é uma doutrina adequada para quem quer parecer “intelectual”, ainda que não tenha jamais aberto um livro na vida. O proclamar-se o indivíduo — por apedeuta que seja — “marxista” ou “de esquerda” lhe confere um tipo de “indulgência ideológica”, que o dispensa de qualquer avaliação séria… vira de imediato “intelectual”!…

Por Acacio Vaz de Lima Filho — Livre-Docente em Direito Civil, área de História do Direito pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, é acadêmico perpétuo da Academia Paulista de Letras Jurídicas e sócio titular do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Antigo Secretário de Doutrina e Estudos do Grêmio Cultural Jackson de Figueiredo, de São Paulo.

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